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Dias de glórias à dias de dramas: Manecão completa 33 anos

Jonas Hames  Jonas Hames      quarta-feira, 4 outubro 2017     

Buraco no telhado que causava infiltração e piso danificado, levaram a interdição do Ginásio Manecão em fevereiro de 2013. De lá para cá a situação do local ganhou contornos dramáticos, foi alvo de debates políticos, promessas de reforma e revolta dos amantes do esporte. Completando 33 anos de fundação no dia 10 de outubro, o […]

Buraco no telhado que causava infiltração e piso danificado, levaram a interdição do Ginásio Manecão em fevereiro de 2013. De lá para cá a situação do local ganhou contornos dramáticos, foi alvo de debates políticos, promessas de reforma e revolta dos amantes do esporte. Completando 33 anos de fundação no dia 10 de outubro, o Manecão; que de acordo com material de campanha de 2016 já tinha recursos garantidos; voltou à cena na sessão de segunda-feira (02). Da tribuna o vereador Éder Vargas (PMDB) relatou pedido de verba para assessor de deputado, e que poderia ser destinado à reforma do espaço.

Semanas que antecederam a eleição de 2016, o prefeito Daniel Cândido (PSD) anunciou que a reforma do Manecão já teria recursos financeiros garantidos para execução da reforma. Aliás, não seria uma simples reforma. O espaço seria completamente remodelado, ganhando contornos modernos. Para que o projeto apresentado na campanha saísse do papel, seriam necessários entre R$ 3 a R$ 4 milhões. Após o anúncio, não houve discussão. Afinal, dinheiro garantido é reforma ou construção garantida. O resto à história esclarece: não havia dinheiro nem projeto. Só um desenho que serviu como propaganda eleitoral.

O ginásio foi inaugurado no governo de Sinésio Dadam em 1984. Garrega memórias de muitos batistenses. Foram dias de glória. E hoje, dias de abandono. A bola não rola mais. As arquibancadas estão vazias. A multidão apaixonada deu espaço a um ou outro usuário de drogas que se aventura pelos escombros. Do Manecão restaram memórias de quem presenciou as mais importantes disputas do esporte local. E os pedaços, como símbolo da decadência de um patrimônio do município.

Estádio lotado com as olimpíadas interbairros e os Jogos Escolares. Foi nesse palco que São João Batista disputou o Catarinense de Futsal. Em época de eleições, quando o voto era no papel, na quadra as urnas eram abertas e realizada a contagem. E tinham as formaturas, dispensa do serviço militar. E o orgulho dos batistenses.

Das ruínas do Manecão a lembrança do Avaí, quando venceu a Série B, e disputou partida com os Atletas de Cristo em 1998. Ginásio lotado. O prefeito era Jair Sebastião Nonga de Amorim. Partida beneficente que arrecadou mais de uma tonelada de alimentos. Treinador da seleção local foi o saudoso Galego, em jogo que terminou em 8 a 7.

Os traços da história do Manecão se confundem também com o momento político vivido por São João Batista. A emoção da contagem do voto a voto na quadra, transmitido pela rádio. Glivan Cipriani, Moacir Muniz, João Luiz Ramos, Zilto Vilanova e Antero Alexandre participaram desses momentos.

Silêncio e destruição se seguiram a fevereiro de 2013, quando o espaço foi interditado. Com a depredação do espaço, os recursos que seriam gastos na manutenção do ginásio se transformaram em milhões para uma reforma ampla. Apesar das promessas, nada foi feito para recuperar o local.

Sérgio Roberto Machado, o Sérginho da Fube, entregou um Manecão em dezembro de 2012, e quando voltou a assumir a Fundação Batistense de Esportes, recebeu outro. Destruído. Uma visita ao local é possível perceber entulhos, plantas crescendo em meio à quadra. Das salas nos fundos, resta pouca coisa. E as belezas do Manecão vão se escondendo na névoa da falta de responsabilidade com o bem público.

A poucos metros uma nova praça foi criada. Ao lado uma rua improvisada. Mas, o majestoso Manecão insiste em olhar com tristeza e dureza, acabado, entregue aos drogaditos e a ação do tempo. Novos espaços foram criados, e que já tínhamos foi colocado deixado para padecer com a destruição.

No Manecão a banda não toca mais, nem os jovens se formam. A bola não tem mais espaço na quadra dominada por lixo e mato. As paredes se tornaram santuário para os pichadores. E as memórias vão se perdendo. E novo projeto de recuperação é apresentado. Serão milhões de reais se um dia sair do papel. No Manecão não tem mais grito de torcida, tem lamento pela insensatez da Administração Municipal que virou as costas para a sua própria história. O Manecão é nosso.

E festeja os 33 anos, com tristeza.

MANECÃO COMPLETA 33 ANOS DIA 10Símbolo de uma geração que ser formaram, dispensa militar e centenas de competições esportivas. Dia 10 de outubro completam-se 33 anos da inauguração do Ginásio de Esportes Manoel Certório Alves, Manecão. O ginásio foi inaugurado no governo de Sinésio Dadam em 1984, quatro meses antes de eu nascer. Nele tem as memórias de muitos batistenses. Resgato aqui um texto que publiquei no dia 12 de setembro de 2016:O MANECÃO É NOSSO. É NOSSA MEMÓRIAForam dias de glória. E hoje, dias de abandono. A bola não rola mais. As arquibancadas estão vazias. A multidão apaixonada, deu espaço a um ou outro usuário de drogas que se aventura pelos escombros. Do Manecão restaram memórias de quem presenciou as mais importantes disputas do esporte local. E os pedaços, como símbolo da decadência de um patrimônio do município.Estádio lotado com as olimpíadas interbairros e os Jogos Escolares. Foi nesse palco que São João Batista disputou o Catarinense de Futsal. Em época de eleições, quando o voto era no papel, na quadra as urnas eram abertas e realizada a contagem. E tinham as formaturas, dispensa do serviço militar. E o orgulho dos batistenses. Das ruínas do Manecão a lembrança do Avaí, quando venceu a Série B, e disputou partida com os Atletas de Cristo em 1998. Ginásio lotado. O prefeito era Jair Sebastião Nonga de Amorim. Partida beneficente que arrecadou mais de uma tonelada de alimentos. Treinador da seleção local foi o saudoso Galego, em jogo que terminou em 8 a 7. Os traços da história do Manecão se confundem também com o momento político vivido por São João Batista. A emoção da contagem do voto a voto na quadra, transmitido pela rádio. Glivan Cipriani, Moacir Muniz, João Luiz Ramos, Zilto Vilanova e Antero Alexandre participaram desses momentos. Silêncio e destruição se seguiram a fevereiro de 2013, quando o espaço foi interditado. Com a depredação do espaço, os recursos que seriam gastos na manutenção do ginásio se transformaram em milhões para uma reforma ampla. Apesar das promessas, nada foi feito para recuperar o local. Sérgio Roberto Machado, o Sérginho da Fube, entregou um Manecão em dezembro de 2012, e quando voltou a assumir a Fundação Batistense de Esportes, recebeu outro. Destruído. Uma visita ao local é possível perceber entulhos, plantas crescendo em meio quadra. Das salas nos fundos, resta pouca coisa. E as belezas do Manecão vão se escondendo na névoa da falta de responsabilidade com o bem público. A poucos metros uma nova praça foi criada. Mas, o majestoso Manecão insiste em olhar com tristeza e dureza, acabado, entregue aos drogaditos e a ação do tempo. Novos espaços foram criados, e que já tínhamos foi colocado deixado para padecer com a destruição. No Manecão a banda não toca mais, nem os jovens se formam. A bola não tem mais espaço na quadra dominada por lixo e mato. As paredes se tornaram santuário para os pichadores. E as memórias vão se perdendo. E novo projeto de recuperação é apresentado. Serão milhões de reais se sair do papel. No Manecão não tem mais grito de torcida, tem lamento pela insensatez da Administração Municipal que virou as costas para a sua própria história. O Manecão é nosso.

Posted by Jonas Hames on Monday, September 25, 2017