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Merisio ou Mariani: consenso batistense só com articulação

Jonas Hames  Jonas Hames      quinta-feira, 7 setembro 2017     

As portas da eleição para o Governo do Estado dois pré-candidatos se firmam e tendem a embarcar na disputa pela Casa da Agronômica em 2018. Dois velhos conhecidos do eleitor batistense, mas que nem por isso terão vida fácil na Capital Catarinense do Calçado. O articulador Gelson Merisio (PSD) vai para o campo de batalha […]

As portas da eleição para o Governo do Estado dois pré-candidatos se firmam e tendem a embarcar na disputa pela Casa da Agronômica em 2018. Dois velhos conhecidos do eleitor batistense, mas que nem por isso terão vida fácil na Capital Catarinense do Calçado. O articulador Gelson Merisio (PSD) vai para o campo de batalha com o político Mauro Mariani (PMDB).

De armas em punho, Merisio já costura uma aliança para tentar manter seu partido no comando do Estado. Está fechado com o Partido Progressista (PP), que inclusive já aprovou uma moção deixando sua clara intenção de estar no palanque pessedista. Se lá na Capital está quase tudo resolvido, em São João Batista a situação ganha outras capítulos. Fim das divergências e consenso dentro do PP só serão possíveis se Gelson Merisio fazer o que melhor sabe: articulação.

Essa é a maior habilidade do deputado, conseguindo o feito, terá a chance de ter no Vale do Rio Tijucas uma votação maior do que a conquistada por Raimundo Colombo. A explicação é simples: o PMDB local fará uma campanha apática para Mauro Mariani, levando em consideração que ocupam cargos na Administração de Daniel Cândido (PSD). Não vão permitir o risco de comprometer o relacionamento com o dono da caneta. Alguns membros da cúpula emedebista, inclusive, vão trabalhar abertamente para Merísio.

Fechar questão no Partido Progressista (PP), tiraria Mauro Mariani do jogo na cidade. São João Batista é a 46ª maior cidade de Santa Catarina, tem eleitorado ultrapassando os 20 mil votos. Município não tem condições de determinar o resultado final das eleições, mas são votos preciosos. Neste momento, menos de meia dúzia de pepistas batistenses assimilam a possibilidade de aceitar a decisão tomada pela cúpula. E a rejeição não tem ligação com o nome Merísio, mas com a condução de questões ligadas a indústria, empresários e lideranças do PP pela prefeitura.

Lenço branco estendido em dezembro e discurso de paz na posse em janeiro, na prática da Administração Municipal, se mostrou oposta ao discurso. Nem o fim de dois processos contra Daniel não foram capazes de aplacar o clima de beligerância da prefeitura. Aliás, seguiu sendo estimulado. Houve encenações, não acompanhadas de sinais práticos de paz ou trégua entre os dois partidos. Sem intervenção, tendência é que maioria do PP abrace Mauro Mariani (PMDB), assim como partido já fez com Luiz Henrique da Silveira (PMDB) no passado.

Esse cenário poderá ter outros efeitos, que devem atingir a disputa pela Assembleia Legislativa. Altair Silva e Silvio Dreveck, ambos do PP, tem bom trânsito e apoio com lideranças locais. Na eleição de 2014, Altair levou 16,33% dos votos em São João Batista, ou seja, 2.267 votos. Na época foi apoiado pelo ex-prefeito Aderbal e alta cúpula dos progressistas da cidade. Situação ficaria delicada com PP em um palaque e os deputado em outro. Uma visita do deputado ao gabinete de Daniel Cândido, nesta semana, por exemplo, foi capaz de produzir ruídos de ranger de dentes no partido.

Apesar de lideranças do PP e PSD afirmarem que ainda ‘tem muita água para passar embaixo da ponte’, Mariani já desempenha seu papel. Fez sinais ao ex-prefeito de São João Batista ao participar da inauguração da filial do Calçados Ala em Canelinha, e novamente na entrega do terreno para a Costa Rica. O próprio vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB), citou Aderbal durante discurso. Dirigiu-se ao empresário batistense pelo apelido de ‘Deba’ e relembrou a proximidade entre Santos e Luiz Henrique.

Jogo segue, e PP de São João Batista se mantém sem consenso ou entendimento mínimo.

Outros desafios locais:

Mais que as divergências locais entre PP e PSD, Merísio terá que ultrapassar outro desafio. Disputa de 2018 não será semelhante à de 2014. Com a aplicação de medidas duras que atingem o cidadão como o aumento da água, iluminação pública, hora máquina dos agricultores, taxa de lixo, Imposto Sobre Serviços e o IPTU, que deve ser enviado para Câmara nas próximas semanas, Daniel terá sua popularidade desgastada. A irritação pelos aumentos sucessivos poderá ser direcionada as urnas.