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Projeto número 12 e o silicone da discórdia

  Jabson Alexandre      terça-feira, 9 fevereiro 2016     

Projeto de lei 012/2016 de origem do executivo que visa autorizar a fundação hospitalar de Canelinha a firmar parceria com clínicas particulares, esta rendendo uma boa discussão na Câmara de Vereadores da terra de Antônio. O Aluguel de uma parte da estrutura hospitalar e a cobrança de procedimentos diversos, em especial, cirúrgicos, não é visto […]

Projeto de lei 012/2016 de origem do executivo que visa autorizar a fundação hospitalar de Canelinha a firmar parceria com clínicas particulares, esta rendendo uma boa discussão na Câmara de Vereadores da terra de Antônio. O Aluguel de uma parte da estrutura hospitalar e a cobrança de procedimentos diversos, em especial, cirúrgicos, não é visto com bons olhos pelos vereadores de oposição. O temor é de que o atendimento gratuito do SUS possa ser prejudicado.

Além disso, não estaria claro como seria realizado o controle das receitas provenientes destas parcerias. E tem mais. Existe a desconfiança de que materiais e remédios comprados pelo município para o atendimento do SUS poderiam ser desviados para procedimentos pagos, aumentando assim, os lucros de alguns profissionais médicos.

Os vereadores da situação dizem que o atendimento gratuito via SUS não será prejudicado, além disso, estas parcerias poderiam resolver o problema que o município tem para contratar médicos especialistas devido ao alto custo. Exames e outros procedimentos que o SUS não cobre poderiam também ser disponibilizados para a população.

esps-silicone-alem-proteseA verdade é uma só. Este projeto vai regularizar uma prática que já existe em Canelinha e em quase todos os hospitais públicos deste país, que é a realização de procedimentos particulares, ou pagos, como queiram, nestes recintos. Em alguns lugares o trabalho é feito de forma clara e regular, em outros nem tanto. Outra coisa. O SUS cobre praticamente tudo quanto é tipo de procedimento, o problema muitas vezes é a demora. Já os estéticos não são ofertados, apenas em algumas exceções.

É sabido que o hospital de Canelinha á muito tempo vem sendo utilizado para realizar cirurgias plásticas de caráter meramente estético. Tem gente entrando com os `airbags´ vazios e saindo com um par de seios tão robustos e empinados que daria inveja até na Fafá de Belém. Não sou contra quem deseja ficar mais bonita ou bonito, mas a prioridade nessa situação, tem que ser saúde e não a beleza. As cirurgias plásticas para a correção de um defeito ou problema físico, que expõem as pessoas ao constrangimento, ai tudo bem, mas sabe-se que estas quase não são realizadas no município. Será que são apenas estas cirurgias estéticas que o SUS não cobre, que alguns vereadores estão preocupados em manter quando se referem a procedimentos que a saúde pública não oferta?

A reportagem da Super FM visitou o hospital de Canelinha no mês de janeiro deste ano e observou várias próteses de silicone no centro cirúrgico, comprovando que a maior procura por cirurgias na fundação hospitalar de Canelinha é mesmo pela vaidade. A procura pelo corpo perfeito é grande, tem gente inclusive vinda de outros estados para realizar procedimentos, talvez, devido ao custo menor aqui encontrado pelos serviços. No ano Passado, o óbito de uma funcionária pública do município após uma cirurgia estética, repercutiu de forma negativa na região. O caso foi tratado como uma fatalidade pela direção do hospital.

A ideia do projeto na essência é nobre e válido se aplicado ao pé da letra, for bem administrado e não atrapalhar o atendimento do SUS, que já não é lá essas coisas.  Mas se for para atender pura e simplesmente os interesses financeiros de algumas pessoas e o capricho estético de outras, é preciso melhor estuda-lo para que seja aperfeiçoado, afinal de contas, mesmo podendo pagar, você pode ficar por mais um tempo sem um rostinho bonito – mas á saúde do assalariado, esta não pode esperar.